Aspectos psiquiátricos da infecção por HIV

Segundo o site da UNAIDS o número de pessoas vivendo com HIV no mundo está por volta de 37.9 milhões com 95% vivendo em países de baixa ou médica renda.


A infecção é crônica, com possibilidade futura de cura, com alta comorbidade (associada a outras doenças). Fatores psicológicos influenciam o curso da doença e o risco. Como doença assintomática e estigmatizante, há incerteza do contágio, reticência em fazer o exame (confronta a pessoa com sua finitude) e há influência do meio:

padrões morais e religiosos, o duplo padrão de infectado e infectante, alterações na vida sexual, realinhamento de projetos de vida e prejuízo em sua qualidade.

Miguel Bragança (2006), em apresentação sobre a evolução da epidemia de SIDA (Universidade do Porto), resume assim sua evolução do ponto de vista psiquiátrico.


Fatores psicológicos que podem influenciar na evolução


Personalidade:

personalidade anti-social: alto risco de se infectar e baixo risco de sofrer morbilidade psiquiátrica.

personalidade borderline: muitos infectados devido a passexualidade. Dificuldade de interiorização da sexualidade e sentimentos.

Personalidade anancástica: traços protetores (ruminações, proteção, são mais monogâmicos, pensam sistematicamente no que vão fazer).

Alextitimia: dificuldade de expressão verbal de emoções. Fator de risco para infecção. O indivíduo tem, também, dificudlade para expressar sua sexualidade.

Locus de controle: interono - indivíduo se culpabiliza muito, tem maior probabilidade de tomar medidas preventivas.

Desse entendimento psicológico vê-se que campanhas preventivas em massa são falhas pois exigiriam que personalidades fossem homogêneas. Quanto menor e mais homogêneo o grupo ao qual a campanha é dirigida, maior a eficácia.


Psicopatologia prévia


Toxicodependentes, alcoolistas, transtornos de personalidade, transtornos de ajustamento, transtornos de identidade do gênero, transtornos afetivos ou psicóticos, parafilias e contexto existencial.


Perturvações psicológicas causadas pelo HIV


medo e/ou recusa do teste

lidar psicologicamente com a doença

sentimentos de inutilidade

negação

mentiras

A comunicação do diagnóstico: "A verdade médica é um fármaco de grande potência que deve dosear-se com o tempo." J Blanco e Y Lopez.


Influência psicológica e simbólica da infecção:

Inicialmente reações de luto (choque, torpor, negação), relações sexuais menos protegidas, raiva, revolta dirigida a si ou contra o outro. Menor proteção "Não quero saber, também me contaminaram", culpa, luto pela "perda da sexualidade", depressão e ansiedade.


Referências:


Aspinwall, L., & Taylor, S. (1997). A stitch in time: Self-regulation and proactive coping. Psychological Bulletin, 121 (3), 417-436 DOI: 10.1037/0033-2909.121.3.417


Bragança, M. A perturbação neurocognitiva associada à infecção pelo VIH. Mesa Redonda Perspectiva psicológica e psiquiátrica na infecção pelo HIV. V Congresso Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Porto, Novembro 2009





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