Desacelerando o envelhecimento cerebral


O envelhecimento cerebral é inevitável mas varia de pessoa a pessoa. Muito se fala em viver mais, mas, além do corpo saudável, é necessário desacelerar ou envelhecimento cerebral.


Com pouco mais de 1kg, seu cérebro é uma maravilha da bioengenharia com cerca de 100 bilhões de neurônios interconectados por trilhões de sinapses. Durante a vida o cérebro é o órgão que mais provavelmente se modifica com a vida. O desenvolvimento cerebral inicia na terceira semana de gestação e, com a idade, sua complexa estrutura e função se modifica, com novas conexões e circuitos.


Os lobos frontais são responsáveis pela função executiva como planejamento, memória de trabalho e controle de impulsos. Essas são as áreas que demoram mais tempo para amadurecer e só chegam à plenitude por volta dos 35 anos.


O envelhecimento cerebral normal


Com o envelhecimento, os sistemas do corpo, inclusive o cérebro, declinam gradualmente e os lapsos de memória se tornam mais comuns. Esquecimentos ocasionais são comuns também em indivíduos de 20 anos, mas pessoas mais velhas podem ficar ansiosas com pequenos problemas de memória por medo de desenvolver a doença de Alzheimer. Essa e outras demências não fazem parte do processo normal de envelhecimento cerebral.


Alterações de memória comuns associadas à idade incluem:


  • Dificuldade em aprender algo novo - processar novas informações pode demorar mais

  • Multitasking - fazer várias coisas ao mesmo tempo fica mais difícil

  • Lembrar nomes e números - a memória estratégica, que ajuda a lembrar nomes e números inicia o declínio por volta dos 20 anos

  • Lembrar de compromissos - sem pistas para relembrar a informação, o cérebro coloca compromissos no “arquivo” e não os acessa até algo ajudar a lembrar.


Até um terço dos adultos mais velhos relatam problemas com a memória declarativa, isto é, memória de fatos ou eventos que o cérebro arquiva e consegue buscar, mas, estudos mostram que até ⅕ dos indivíduos de 70 anos de idade tem o mesmo desempenho em testes cognitivos de pessoas com 20 anos de idade.


As mudanças que ocorrem no cérebro em envelhecimento incluem:


*Massa cerebral - diminuição do lobo frontal e hippocampus, áreas envolvidas e funções cognitivas e formação de novas memórias, um processo que ocorre por volta dos 60 ou 70 anos de idade.


*Densidade cortical - diminuição da superfície devido ao declínio das conexões sinápticas. Menos conexões leva a lentidão do processo cognitivo.


*Substância branca - as fibras nervosas mielínicas que formam feixes para transmitir o sinal entre as células do cérebro. Estudos mostram que a mielina diminui com a idade e, por consequência, o processamento é lento e a função cognitiva diminuída.


*Neurotransmissores - Pesquisas mostram que o cérebro gera menos mensageiros químicos com a idade e a diminuição da atividade de dopamina, acetilcolina, serotonina e noradrenalina pode colaborar no declínio cognitivo, de memória e aumentar sintomas depressivos.


A obesidade na meia idade acelera o envelhecimento cerebral em cerca de 10 anos, assim como o consumo de refrigerantes (com açúcar e dietéticos).


Para ajudar a desacelerar o envelhecimento cerebral, melhore seus hábitos de vida:


  1. Atividades físicas regulares

  2. Manter o cérebro engajado em atividades intelectualmente desafiantes

  3. Mantenha a atividade social

  4. Manejo de estresse

  5. Uma dieta saudável

  6. Sono adequado


Exercícios


Entra ano, sai ano e os estudos mostram que o exercício físico ajuda a diminuir o declínio mental. A combinação de exercícios aeróbicos e treino de resistência em moderada intensidade por cerca de 45 minutos por sessão em quantos dias possíveis você puder fazer pode aumentar a capacidade cerebral em pessoas acima de 50 anos. Uma pesquisa da Universidade de Miami evidenciou que adultos sedentários acima de 50 anos apresentaram 10 anos de envelhecimento cerebral em 5 quando comparados a indivíduos ativos.


Tocar um instrumento


Tocar instrumentos musicais ajuda a desacelerar o declínio cognitivo e ajuda a manter a audição. Aprender o instrumento muda as ondas cerebrais de uma forma que melhora a capacidade de ouvir e interpretar sons. A mudança na atividade cerebral faz com que o cérebro crie novos circuitos para compensar doenças ou perdas que poderiam atrapalhar a habilidade de desempenhar novas tarefas.

Uma dieta saudável.


Alimentação


Pesquisas mostram que melhores níveis de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 no sangue e consumir alimentos da dieta Mediterrânea está associado a menor risco de problemas de memória. Indivíduos com altos níveis de luteína - um ingrediente presente em vegetais verdes como couve, espinafre e também ovos e abacates - apresentaram respostas neurais semelhantes às de adultos jovens.


Assim como cuidamos do coração para evitar infarto, diabetes e outras doenças no envelhecimento, precisamos aprender a cuidar do nosso cérebro. Pequenos ajustes podem significar uma grande mudança na sua futura qualidade de vida.

Mãos à obra!


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